Uma criança não se perde, o adulto é que perde uma criança
Conheça dicas e estratégias para encontrar crianças desaparecidas. Só no Rio de Janeiro há registro de 108 crianças desaparecidas. A maioria fugiu de casa, muitas vezes por maus tratos ou conflitos com a família.
Histórias de pais angustiados à espera de notícias de filhos que saíram de casa e não voltaram. Crianças e jovens que estão desaparecidos.
Histórias de pais angustiados à espera de notícias de filhos que saíram de casa e não voltaram. Crianças e jovens que estão desaparecidos.
Uma fundação no Rio de Janeiro, criada só para ajudar pais a reencontrar os filhos, ensina estratégias para encontrar pessoas desaparecidas e também dá dicas de como evitar o sofrimento de perder uma criança.
Assista a matéria:
Hoje no Rio há registro de 108 crianças desaparecidas. A maioria (76%) fugiu de casa, muitas vezes por maus tratos ou conflitos com a família.
Uma carta escrita pela filha de treze anos. Foi o que Thais deixou para seu pai Raimundo Cardoso. Na carta ela avisa que vai fugir de casa e pede para que o pai não se preocupe. Como se isso fosse possível.
“Não desejo pra ninguém o que eu estou passando. É a única filha que eu tenho, crio ela sozinho”, lamenta o pai. “Eu só peço a Deus que ela volte para casa.”
Em caso de desaparecimento, os pais devem procurar logo a delegacia mais próxima. Atenção: por lei não é preciso esperar 24 ou 48 horas para registrar o sumiço de uma criança ou adolescente.
No Rio, o programa S.O.S. Crianças Desaparecidas é coordenado pela Fundação para a Infância e Adolescência, mantida pelo Governo do Estado.
No local há psicólogos e assistentes sociais para receber a família. Rapidamente é produzido o material para a divulgação. A foto vai para um cadastro nacional do Ministério da Justiça.
Assim que procuram a Fundação para a Infância e Adolescência, os pais ou responsáveis pela criança desaparecida já saem daqui com pelo menos 100 cartazes. São as primeiras fotos que vão ser distribuídas na vizinhança, nos locais frequentados pela criança e principalmente onde ela desapareceu.
“A família tem que entender que ela tem que gritar mesmo pelo seu filho, para que a gente possa mobilizar todos os parceiros”, explica Luiz Henrique Oliveira, gerente do programa.
Júlia sumiu por dois dias quando tinha seis anos. Foi levada por um homem na praia, onde estava sozinha, enquanto o pai trabalhava num quiosque. Júlia foi devolvida num local onde havia centenas de cartazes com fotos dela.
“Esses cartazes foram fundamentais, não parei nem um minuto de procurar. Não pode desistir, né?”, comenta a mãe Marli Ramos de Ataíde.
Há dicas para que uma criança não suma em locais movimentados. Até seis anos ela deve ter a identificação presa ao corpo, em cordão, pulseira ou etiqueta. A partir dos sete, a criança deve ser ensinada a falar o nome da mãe ou do pai e um número de telefone para a família ser avisada. E jamais deixe crianças maiores cuidarem das pequenas. Essa é uma responsabilidade dos adultos.
“Uma criança não se perde. Um adulto perde uma criança” alerta Teresa Consentino, presidente da FIA. “Pra que isso não aconteça que é de uma angustia enorme. A procura de uma criança, saber onde ela está, se algum adulto pode ter levado, o que pode ter acontecido. Tenha a prevenção sempre.”
Gisela, de oito anos, desapareceu ao voltar da escola. Foi vista pela última vez em fevereiro.
“Ela me faz muita falta, muita falta mesmo. Tem horas que eu quero morrer. Uma coisa que eu não posso perder nunca é a esperança que ela vai voltar”, lamenta a mãe.